Quem decide contratar desenvolvedor de aplicativo costuma começar pela pergunta errada: quanto custa a hora? A pergunta que decide o resultado é outra. Quem vai responder pelo app daqui a um ano, quando a Apple mudar uma regra, o servidor cair num sábado ou um cliente grande pedir uma integração?

Existem três caminhos para tirar um app do papel: contratar um freelancer, contratar uma empresa de desenvolvimento ou montar um time interno. Os três funcionam. Cada um cobra um preço diferente, e nem sempre esse preço aparece na proposta.

A seguir, a comparação entre eles em cinco pontos: custo total, risco, continuidade, propriedade do código e gestão. Depois, quando cada um faz sentido e o que perguntar antes de assinar.

Os três caminhos em poucas linhas

Freelancer. Um profissional autônomo, contratado por projeto ou por hora. Às vezes é uma pessoa só; às vezes é uma pessoa que subcontrata outras para design ou backend.

Empresa de desenvolvimento. Uma software house ou fábrica de software que entrega um time completo: design, desenvolvimento mobile, backend, testes e publicação. Contrata-se por escopo fechado ou por time dedicado mensal.

Time interno. Desenvolvedores contratados pela sua empresa, em CLT ou PJ, que trabalham só no seu produto e respondem à sua liderança.

Custo total: o valor da proposta é só uma parte

Comparar caminhos pelo valor da hora ou do salário leva a decisões ruins, porque cada caminho esconde custos em lugares diferentes.

No freelancer, o valor por hora costuma ser o mais baixo dos três. O que fica fora dele: o seu tempo coordenando o trabalho, as partes que ele não faz (design, testes em vários aparelhos, infraestrutura, painel administrativo) e o retrabalho quando alguém precisa assumir um código sem documentação. Um app de negócio quase nunca é só o app. Tem API, banco de dados, painel e publicação nas lojas. Se o freelancer cobre uma parte, você contrata e coordena o resto.

Na empresa, o preço inclui o time inteiro e o processo. Parece mais caro na comparação direta porque já traz o que, nos outros caminhos, você paga separado ou faz sozinho. Como referência, na calculadora de custo da Phurshell um app simples fica entre R$ 38 mil e R$ 51 mil, com cerca de 12 semanas; um app de média complexidade fica em torno de R$ 89 mil e 18 semanas; um marketplace começa em R$ 155 mil, com 20 semanas ou mais.

No time interno, o salário é só o começo. Entram encargos e benefícios, recrutamento, equipamento, ferramentas, o tempo de quem gerencia o time e os meses até as pessoas ficarem produtivas. E um time de uma pessoa raramente basta. Para cobrir mobile, backend, design e qualidade, você precisa de várias contratações, ou de uma pessoa que faça tudo com profundidade menor em cada parte.

A conta honesta compara quanto custa ter o app pronto, publicado e mantido durante um período, em cada caminho.

Risco: o que acontece quando algo dá errado

Todo projeto de software tem imprevistos. O que muda entre os caminhos é quem absorve o golpe.

Freelancer: o risco se concentra em uma pessoa. Se ela adoece, aceita um emprego fixo ou some, o projeto para. Não há ninguém para cobrir. Também não há revisão de código por outra pessoa, o que deixa passar erros que um segundo par de olhos pegaria.

Empresa: o risco é distribuído. Se um desenvolvedor sai, outro assume com o contexto do time. Em escopo fechado, o risco de estimativa fica com o fornecedor. O risco que sobra para você é escolher mal a empresa, e o guia para escolher uma empresa de desenvolvimento de aplicativos mostra como reduzir esse risco.

Time interno: o risco está na contratação. Errar uma contratação técnica custa caro e demora para aparecer. Se você não tem ninguém técnico para avaliar candidatos, fica difícil saber se contratou bem antes de o código começar a dar problema.

Continuidade: o app não acaba no lançamento

Um app no ar precisa de atualização para novas versões do iOS e do Android, correção de falhas, ajustes de segurança e as funcionalidades que ficaram para depois. Quem lança e some deixa um produto que envelhece rápido.

Freelancer: a continuidade depende da agenda dele. Se ele pegou outro projeto, sua correção urgente entra na fila.

Empresa: a maioria oferece manutenção com contrato próprio. A continuidade depende de a empresa manter conhecimento sobre o seu projeto, por isso vale perguntar quem do time original continua disponível depois da entrega.

Time interno: é o caminho com mais continuidade, enquanto as pessoas ficam. Quando alguém sai, o conhecimento vai junto se não houver documentação e revisão de código.

Propriedade do código e das contas

Este ponto vale para os três caminhos e é onde muita gente se complica.

O código-fonte, o repositório, as contas na App Store e no Google Play, o domínio e a infraestrutura em nuvem devem estar no nome da sua empresa desde o primeiro dia. Com freelancer, é comum o repositório ficar na conta pessoal dele e a conta da loja no nome de quem publicou. Com empresa, isso precisa estar no contrato junto com a transferência da propriedade intelectual. Com time interno, a propriedade é sua por padrão, mas os acessos administrativos não podem ficar com uma única pessoa.

Se você não consegue trocar de fornecedor amanhã sem pedir permissão a alguém, o código não é totalmente seu.

Gestão: quem coordena o trabalho

Freelancer: você é o gerente do projeto. Define prioridades, revisa entregas, testa, decide o que vai para a loja. Se houver mais de um freelancer, você também coordena um com o outro.

Empresa: a empresa traz gestão de projeto, mas você continua dono das decisões de produto. No escopo fechado, seu papel é aprovar entregas. No time dedicado, você participa das prioridades a cada ciclo. O artigo sobre squad as a service detalha como funciona esse segundo formato.

Time interno: você precisa de liderança técnica. Sem alguém que entenda de arquitetura, segurança e processo, o time decide sozinho, e nem sempre bem.

Comparativo resumido

Critério Freelancer Empresa Time interno
Valor visível na proposta Mais baixo Intermediário a alto Salários parecem baixos, custo real é alto
Custos fora da proposta Seu tempo de gestão, partes não cobertas Nuvem, serviços de terceiros, lojas Encargos, recrutamento, gestão, ferramentas
Risco de parar Alto, depende de uma pessoa Baixo, time cobre ausências Médio, depende de retenção
Continuidade Depende da agenda dele Contrato de manutenção Alta enquanto o time fica
Quem gerencia Você Empresa, com você nas decisões Sua liderança técnica
Tempo até começar Rápido Rápido Lento, depende de contratar

Quando cada caminho faz sentido

Freelancer

Tarefas pontuais e bem delimitadas: ajustar uma tela, corrigir um bug específico, criar um protótipo para testar uma ideia, reforçar um time que já existe e tem alguém para revisar o código. Funciona melhor quando você ou alguém da sua equipe tem conhecimento técnico para avaliar o que foi entregue.

Empresa de desenvolvimento

Um app completo com backend, painel e integrações, quando você não tem time técnico ou o seu time está ocupado com a operação. Também quando há prazo real, porque uma empresa começa em semanas e um time interno leva meses só para ser contratado. Se quiser entender o que diferencia os tipos de fornecedor, veja o que é uma software house e como ela trabalha.

Time interno

Quando o software é o centro do negócio, vai evoluir por anos e você tem, ou vai contratar, alguém para liderar tecnicamente. Faz sentido para empresas que já validaram o produto e precisam de velocidade constante, com conhecimento acumulado dentro de casa.

Combinações que funcionam

Os caminhos não são excludentes. Um formato comum é contratar uma empresa para construir e lançar a primeira versão e, enquanto isso, montar o time interno, que assume o produto aos poucos com uma transição planejada. Outro é ter um time interno pequeno, focado no núcleo do produto, e trazer uma empresa para projetos paralelos ou picos de demanda. Em qualquer combinação, código documentado e acessos no seu nome tornam a troca possível.

Perguntas para fazer antes de contratar

Para qualquer caminho

  • Quem vai cuidar do backend, do painel administrativo, dos testes e da publicação nas lojas?
  • Em que conta ficarão o repositório, as contas das lojas e a nuvem?
  • Com que frequência vou receber uma versão para instalar e testar?
  • O que acontece com o código se o trabalho for interrompido?
  • Como funciona a manutenção depois do lançamento, e quanto custa?

Para um freelancer

  • Você vai fazer tudo sozinho ou vai subcontratar alguma parte? Quem?
  • Quantos projetos você toca ao mesmo tempo?
  • Quais apps que você fez estão nas lojas hoje? Posso falar com um cliente?
  • Se você precisar parar, como outra pessoa assume o código?

Para uma empresa

  • Quem exatamente vai trabalhar no meu projeto, e posso conhecer o líder técnico antes de assinar?
  • O que está fora do escopo desta proposta?
  • Como vocês tratam mudanças no meio do projeto?
  • Vocês trabalham com escopo fechado e com time dedicado? Como é a passagem de um para o outro?

Para um candidato ao time interno

  • Que apps você colocou em produção e manteve depois do lançamento?
  • Como você decidiria entre app nativo e multiplataforma para este produto?
  • Como você organizaria testes e publicação se fosse a única pessoa técnica no começo?
  • Quem, na empresa, vai avaliar o seu trabalho? Se a resposta for "ninguém", resolva isso antes da contratação.

Perguntas frequentes

Quanto custa contratar um desenvolvedor de aplicativo?

Depende do caminho e do escopo. Para um app completo feito por empresa, a calculadora da Phurshell indica de R$ 38 mil a R$ 51 mil para um app simples, cerca de R$ 89 mil para média complexidade e a partir de R$ 155 mil para marketplace. Com freelancer ou time interno, compare o custo total de ter o app pronto e mantido, e não só o valor da hora ou do salário.

Vale a pena contratar um freelancer para fazer um app inteiro?

Para um app simples, sem backend próprio e com alguém técnico do seu lado para revisar, pode valer. Para um app com backend, painel administrativo e integrações, o risco de depender de uma pessoa só costuma pesar mais que a economia.

Quando devo montar um time interno de desenvolvimento?

Quando o app é o centro do negócio, vai evoluir continuamente por anos e você tem liderança técnica para contratar e conduzir o time. Antes de validar o produto, montar time costuma ser lento e caro para o que se precisa naquela fase.

Como garantir que o código do app fica comigo?

Deixe no contrato a transferência da propriedade intelectual e crie o repositório, as contas nas lojas e a conta na nuvem no nome da sua empresa antes de o trabalho começar. Dê acesso a quem desenvolve, sem transferir a titularidade.

Posso começar com uma empresa e depois levar o app para um time interno?

Pode, e é um caminho comum. Combine desde o início o que a empresa entrega na transição: documentação, acesso aos ambientes e um período de acompanhamento em que o time interno trabalha junto com o time externo.

Próximo passo

Se você está decidindo como tirar o seu app do papel, conheça como a Phurshell trabalha em desenvolvimento de aplicativos para iOS e Android. Ou fale com o nosso time e conte o seu projeto: devolvemos uma proposta com escopo, prazo e investimento.